#FaceToFace com Paulo Borges

20:15



Na tarde desta terça-feira (18), Paulo Borges (criador do São Paulo Fashion Week) esteve na página oficial do evento no facebook num bate-papo que teve como objetivo tirar  as dúvidas que algumas pessoas têm sobre o SPFW e a próxima temporada do evento que ocorre entre os dias 31 de Março e 4 de Abril.
Selecionei algumas das perguntas feitas pelo público ao criador do maior evento de Moda da América Latina. Confiram:

- Se por um lado a moda brasileira avançou muito nos últimos anos, por outro ela nunca vende o suficiente.  Você acha que isso pode se dever ao fato de, mesmo com as duas imensas plataformas de lançamento que são SPFW e Fashion Rio, ainda não termos conseguido criar uma cultura de moda nacional e um DNA propriamente dito brasileiro, ou até mesmo pelo modo proibitivo com que a mídia trata a moda, levando os consumidores até mesmo a temer o assunto? (Patrick Vidal)

Paulo Borges: Há 30 anos que trabalho com moda e digo todos os dias que moda é um processo em construção. Estamos construindo uma plataforma de moda e cultura para o Brasil. Já conquistamos muito, mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

- Paulo, como funciona o processo de seleção para que uma marca possa desfilar no  SPFW? (Gabriel Dau)

Paulo Borges: Cada marca que pretende desfilar no SPFW deve enviar para nós um portfólio com o planejamento estratégico para ser avaliado pelo comitê.

- Paulo, gostaria de saber qual foi a explosão de criatividade que você teve pra que  o  SPFW existisse e fosse algo tão bombástico ? (Letícia Borges)

Paulo Borges: Letícia, quando criei o Phyto Ervas Fashion em 94, ninguém falava de moda no Brasil. Ninguém acreditava que moda poderia ser no Brasil o q ela é hoje, reconhecida internacionalmente e respeitada mundialmente. Depois de 3 anos, me conscientizei que já tínhamos o momento certo para dar um salto estratégico e de construção para essa plataforma de moda. Percebi que convivia com dezenas de estilistas extremamente criativos, com dezenas de grifes extremamente competentes, com dezenas de empresários de uma indústria têxtil importante, com dezenas de jornalistas e veículos ávidos por uma construção. Tomei coragem e orquestrei essa junção de pessoas, empresas e vocações. Ainda estamos construindo essa grande ideia. Ainda chegaremos a um ponto de conquistas que posicionará o Brasil sem dúvida como um grande player da moda mundial.

- A cobertura da mídia criou a falsa ilusão de que a moda brasileira vai de vento em popa. No entanto, não é isso que acontece: “O que este movimento representa em volume de vendas e faturamento?'' Vamos ser honestos: quais são as marcas brasileiras realmente conhecidas fora do país? (Rafael Nogueira)

Paulo Borges: Rafael, muito oportuna sua colocação. Não podemos continuar vivendo a visão colonizada que nos é imposta diante do mundo. O Brasil é um dos poucos países que detém um mercado interno extremamente forte e importante para o desenvolvimento de sua economia. Toda a nossa história de moda é pensada e desenvolvida para abastecer esse mercado interno. Praticamente 95% de tudo que conseguimos produzir é para o mercado interno. Quando miramos ao mercado internacional, estamos na verdade preparando o futuro do Brasil. Estamos nos preparando para transformações que ainda virão. A moda não está em crise. Em crise estão os processos aos quais a indústria da moda se desenvolveu nos últimos 30 anos. E tudo isso está mudando. Veja a boa matéria da revista Exame de 2 meses atrás, onde números da nossa economia e indústria da moda são apresentadas. A indústria de moda no Brasil cresce o dobro do que qualquer outro país do mundo. O que existe é uma mudança grande no protagonismo e isso passa uma falsa impressão de que o mercado não está crescendo porque algumas marcas que são icônicas, nessa última década não estão conseguindo transpor as barreiras e transformações necessárias para o novo momento no país. Porém, abra os olhos e veja ao seu redor a quantidade de novas marcas que estão crescendo e como marcas que já existiam estão se transformando em grandes redes. Esse é o movimento que acontece hoje no Brasil.

- O que você acha sobre a cobertura que as blogueiras fazem das semanas de moda, como o SPFW? Acredita que elas conseguem transmitir a essência do evento ou apenas falam o que os leitores querem ler? (Rafa Rabelo)

Paulo Borges: Rafa, as blogueiras são um fenômeno mundial. Elas fazem uma cobertura muito importante e relevante para disseminar a informação de moda que está sendo apresentada naquele momento. A responsabilidade delas não é em transmitir a essência de um evento ou de uma coleção, mas sim o que elas entendem com o seu olhar, o que o seu leitor está acostumado a ouvir de suas palavras.

- Com todas as diferentes concepções do que é e não é arte, na tua opinião, a moda é arte?  (Maria Melo)

Paulo Borges:  Maria, sem dúvida moda é arte, moda é cultura, moda é uma expressão viva e uma interpretação artística do momento em que vivemos. Arte é transversal. Moda é transversal. Arte e moda habitam universos de reflexão e de questionamentos constantes, um alimenta o outro para trazer o novo.

+Clique aqui para ver todas as perguntas e respostas!

You Might Also Like

0 comentários

Postagens populares

Alagoas Fashion no Facebook!

Atenção

Muitas das imagens contidas neste blog vem de fontes
diversas, e muitas não autorizadas.. Se alguma foto de sua autoria estiver neste blog e você desejar sua remoção, entre em contato pelo e-mail: alagoasfashion@gmail.com .

Atenciosamente, Equipe Alagoas Fashion.

Subscribe