Cristiano entrevista: Thiago Paes

14:08

                     

O nosso entrevistado de hoje é o estilista alagoano Thiago Paes, também estudou jornalismo e formou-se emdireito. Ele é responsável pela marca Erre Nove, que foi destaque aqui no blog essa semana por sua coleção lançada no Paraná Business Collection.

Recentemente soube que Thiago será um dos destaques do line-up da semana de moda Alagoas Trend house apresentando sua coleção.
Com vocês, Thiago Paes:


CN: Qual a sua formação?


TP: Sempre trabalhei no comercio da minha família, mas gostava de ler, de jornalismo, de informação, por isso estudei Direito no Cesmac e Jornalismo na UFAL, e vim fazer pós graduação aqui no Paraná. Para ajudar a me manter aqui abri uma loja de moda praia, só esqueci que no inverno Curitiba fazia quase zero grau todos os dias, foi um fiasco, mas não abandonei o negócio porque aprendi com o comercio que é preciso escutar o consumidor, e meu consumidor queria comprar calça jeans, casacos, camisetas de manga comprida, fiquei quase louco, não sabia o que era um poncho. Comecei a criar, e já se vão quase 8 anos. Hoje sou pós-graduando em Gestão de Moda pela Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná).

CN: O que é moda para você?

TP: Moda é atitude, é se comunicar através de um estilo de vida, mas, é principalmente um grande propulsor da economia. A moda ainda é associada, por muitos, à futilidade, no entanto tem muito mais a ver com economia, com internacionalização dos mercados, com business, com identidade, com cultura, e aos poucos o Estado vem reconhecendo isso. 

CN: Você teve alguma influência para seguir a carreira de estilista?



TP: Sim, totalmente da minha família de tradicionais comerciantes em Maceió/AL, onde nasci. Foi através do trabalho da minha família que comecei a admirar e a entender o lado bom e também o lado difícil de se trabalhar com moda. Foi também em Maceió que assisti meu primeiro desfile da loja da minha família, ainda criança, em 1986, com Luiza Brunet, Suzane Carvalho, apresentado por Fernando Vanucci. A moda mudou bastante desse tempo para cá, em todos os sentidos, inclusive economicamente. Não adianta vender por vender, sem entender quais as necessidades do cliente. Faltam verdadeiras parcerias entre marcas e lojistas, a relação deve ser bilateral, mas muita gente não entende isso, principalmente os grandes e isso tem tudo a ver com estilo - estilista, entende?

CN: Sobre o processo de criação, onde você costuma buscar inspiração
para desenhar uma coleção?


TP: Minha moda tem identidade com a diversidade de culturas (que redunda numa só) que tem o Brasil. Sempre falo que faço moda brasileira sem obviedades, até porque tem tanta coisa para se conhecer ainda do Brasil que poderia passar 100 anos buscando novos temas associados a cultura, ao life style brasileiro que ainda encontraria. Maceió, por exemplo, tem lugares cinematográficos, sempre que retorno a Maceió vou ao Pontal da Barra, acho um lugar único, lindo, profundo, simples, distinto, esse é o verdadeiro luxo e são nessas coisas que me inspiro.

CN: Qual o diferencial do seu trabalho?


TP: Meu trabalho tem foco na moda masculina. Faço moda para homens inteligentes, que têm opinião própria, que querem antes de qualquer coisa, sentir-se bem. São atualizados com os assuntos do mundo, por isso se preocupam em vestir algo que esteja em sintonia com jornalismo, com um filme, com uma poesia, com um personagem. Teve um jornalista que associou minha mais recente coleção ao filme "Querelle" (de 1982) não tinha pensado nisso, mas acho que estávamos em sintonia. É essa sensação que desperta uma moda com fundamento.


CN: Como você reage as críticas ao seu trabalho?



TP: As críticas são bem vindas, me impulsionam a melhorar meu trabalho. Gloria Kalill disse recentemente que minhas calças capri deveriam ficar no passado, mas disse também que eu fazia uma boa moda masculina e que tive ótimas idéias em misturar tecidos, em usar blazer com mangas arregassadas. E que a moda masculina pode ser o segmento de destaque no Paraná.  Como reagi a isso!!?? fiquei extremamente feliz! Ela é uma assumidade e sempre acompanhei o seu trabalho, fico feliz que agora ela acompanhe o meu. Em relação as capris posso dizer que atendo as necessidades do meu consumidor que é moderninho, mas que também tem seus momentos de tradição e conforto. O que ela quis dizer é que não deveria ter colocado isso no desfile, e é verdade, por que moda de passarela visa algo novo, algo que é tendência, ainda que não agrade num primeiro momento. Recebo muitos elogios também, e esses festejo mais ainda, como o post com o título "O que vi de bom em Curitiba: Thiago Paes" por uma das maiores blogueiras de moda e de quem sempre fui fã, Cris Guerra do (hojevouassim.com.br). Assim a gente vai vivendo, a moda brasileira precisa de incentivos para que possamos ser competitivos no mercado internacional.



CN Você costuma acessar blogs ou portais de moda? Quais?



TP: Sim, sempre, principalmente por que ainda temos poucas publicações impressas segmentadas na moda masculina. Geralmente compro muitas revistas de moda masculina quando estou no exterior, mas, ainda assim, não é tão fácil. Estive recentemente em Boston/USA e fiquei surpreso como eles lidam com a moda. Conheci uma escola de moda fundada em 1932 na Newburry Street, uma das ruas mais chiques da cidade, voltei apaixonado por aquele lugar. Gosto também de exposições, museus, por que são fontes do meu trabalho. A mais recente em que estive foi a exposição de Jean Paul Gaultier em São Francisco na Califórnia e também no museu da moda de Canela/RS. Geralmente quando se fala em moda, tem-se o circuito New York, Paris, Milão, Londres. Mas, existe muita gente boa, fazendo coisas muito boas no mundo, tanto em Maceió (Marta Medeiros, Lucas Barros, Perdigão) quanto na Antuérpia com o Dries Van Noten, Martin Margiela.


CN: Quais os teus maiores ícones da moda?



TP: Tenho vários, mas não me deixo influenciar por eles porque acho que são ícones da moda, não necessariamente da minha moda. Gosto muito de arquitetura, de arte, gosto mais do que entendo, por isso apenas admiro. Em casa, tenho duas litogravuras do Cicero Dias que, as vezes, fico admirando por horas, assim como passei horas em frente a gigantesca obra de Jacques Louis David no Louvre em Paris. Em Maceió estive uma vez em uma exposição do Delson Uchoa, na época eu estudava espanhol no prédio da Reitoria e aproveitava que ali em cima ficava a Pinacoteca. Tempos bons!
CN: Quais os pontos positivos e os negativos de fazer moda em uma era em que quase tudo gira em torno da internet?

TP: Só vejo vantagens na tecnologia. Foi a internet que mostrou para o mundo o trabalho de muita gente. O que acredito que ocorre é um processo de reorganização da publicidade, do jornalismo, da comunicação de uma maneira geral para atender ao novo comportamento de consumo que ainda nem esta consolidado. Vivemos a era da nuvem, onde depositamos informações para que amigos ou todos vejam, mas nem sempre sabemos porque fazemos isso ou porque os outros vêem. Ou seja, existe muito ainda a ser feito e a ser conquistado.

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4 comentários

  1. Gostei da entrevista!
    E parabéns pra ele pelo Paraná Business e por ser um dos destaques do line-up da semana de moda de Alagoas!!!

    Bjs
    http://noestilonamoda.blogspot.com.br/

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  2. Que legal, não o conhecia, mas achei a entrevista bem interessante!

    http://rockcomluxo.blogspot.com.br/

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  3. Que legal! Ainda não o conhecia! Adorei a entrevista ˆˆ*

    Muito obrigada por comentar no meu blog!
    Sempre que atualizar me mande um recado no meu blog, que virei aqui comentar! Fica mais fácil para eu não esquecer e sempre estar aqui mantendo contato! ;)

    Beeeijooos, @re_becah

    blogdareh.com.br

    youtube.com/blogdareh

    facebook.com/blogdareh

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  4. Que bom que gostaram!
    Fico feliz por isso... Bjs :*

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